ACROMEGALIA
Sinônimos:
Gigantismo (quando associada à alta estatura).
O que é?
Doença provocada pelo excesso prolongado de Hormônio de Crescimento (também
conhecido pela sigla "GH", abreviatura do inglês "Growth Hormone"), que
progressivamente vai provocando uma série de sintomas, principalmente o aumento
das extremidades, dores articulares e alterações das proporções faciais. O
quadro característico leva a um aumento do número dos sapatos, dificuldade para
usar anéis e alianças e modificações faciais que incluem crescimento excessivo
do queixo (mandíbula), dos lábios, do nariz e perda espontânea de dentes.
Como se desenvolve?
A doença é provocada por um tumor benigno da glândula hipofisária (localizada no
cérebro), cuja causa ainda é desconhecida. Um número pequeno de pacientes
apresenta formas familiares provocadas por mutações genéticas já conhecidas. Por
se tratar de doença com evolução lenta, usualmente os pacientes não procuram o
médico em decorrência das queixas acima descritas, sendo muitas vezes
diagnosticados em situações ocasionais, alertados por algum médico que reconhece
o aspecto do paciente em ambientes públicos. Em algumas pessoas, o diagnóstico é
estabelecido a partir de exames de imagem do crânio (Rx, Tomografia ou
Ressonância Magnética) realizados por trauma de crânio, cefaléia (dor de cabeça)
ou outras queixas ocasionais.
O que se sente?
As principais características da doença são:
mãos e pés grandes associados a
uma face característica (aumento da região frontal/testa),
aumento do nariz e dos lábios,
aumento da mandíbula com queixo
proeminente,
perdas dentárias e
cefaléia.
Os pacientes apresentam ainda:
pele engrossada com aumento da
oleosidade e sudorese (suor) excessiva,
engrossamento da voz,
aumento do diâmetro do tórax,
aumento dos genitais,
formigamentos em mãos e pés,
dores articulares principalmente
na coluna, quadril (bacia), joelhos e tornozelos.
Ocorre também uma série de
alterações metabólicas, principalmente:
diabete melito,
hipertensão arterial,
litíase urinária ("pedras nos
rins")
insuficiência cardíaca e
aumento de colesterol e
triglicerídeos.
Nos casos de diagnóstico muito tardio, pode ocorrer alteração visual provocada
pela compressão do tumor hipofisário sobre o nervo ótico, usualmente associado a
um quadro de dor de cabeça mais intensa. Em função das alterações de vias aéreas
e do tórax, freqüentemente os pacientes apresentam distúrbios severos do sono,
que podem variar desde o ronco excessivo até quadros graves de apnéia (parada da
respiração), que podem limitar inclusive os procedimentos de anestesia.
Como o médico faz o diagnóstico?
Inicialmente o diagnóstico é clínico, baseado em alto grau de suspeita de
pacientes que apresentam um rosto e/ou extremidades característicos. Nestes
pacientes, a doença é facilmente comprovada a partir de exames de sangue, nos
quais se procede a dosagem do GH e de seus efetores (IGF-I) por radioimunoensaio,
complementados por radiografias do crânio, sela túrcica, mãos e pés e tomografia
computadorizada ou ressonância magnética de sela túrcica. Nos pacientes em que o
tumor hipofisário é maior do que 10 mm e/ou que apresentam extensão supra-selar
do tumor hipofisário, deve se realizar também uma avaliação de campo visual (campimetria)
e dosar os hormônios secretados pela hipófise normal. Em raríssimos casos, nos
quais há elevação do GH e de IGF-I, porém a hipófise é normal nos exames de
imagem, deve-se suspeitar de produção hormonal em outra região do corpo,
principalmente nos pulmões ou pâncreas.
Como se trata?
Após uma avaliação do risco anestésico, está indicada a cirurgia hipofisária,
geralmente uma microcirugia, na qual se procede um orifício a partir do maxilar
superior, atravessando os seios da face e chegando até a sela túrcica de onde o
tumor é retirado. Pacientes com volumosos tumores se prolongando para regiões
superiores à sela túrcica podem necessitar de cirurgia, em que a incisão
cirúrgica é feita na região lateral do crânio. Dependendo do volume tumoral e
dos níveis de GH, a maioria dos pacientes alcança a cura pela cirurgia. Naqueles
em que este objetivo não é alcançado, procede-se a radioterapia sobre a
hipófise. Até ser alcançada a cura pela radioterapia, os pacientes podem ser
tratados medicamentosamente. Antes e depois desses procedimentos, os pacientes
devem ser avaliados periodicamente no que se refere a sua função hipofisária e
manejados clinicamente, na dependência dos distúrbios associados, principalmente
o diabete melito e a hipertensão arterial.
Como se previne?
Não existe forma de prevenção. Ao se detectar um paciente com a moléstia é
importante verificar se há ou não outra pessoa da família com quadro semelhante
ou com qualquer outra suspeita de doença hipofisária. Em caso positivo, pode se
realizar uma avaliação de mutações genéticas que possibilitam definir o risco de
todos os familiares em desenvolver ou não a doença. É muito importante também o
diagnóstico precoce da doença, que só ocorrerá se houver uma suspeita em
pacientes com qualquer dos sintomas acima descritos.
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