ARTRITE REUMATÓIDE: TRATAMENTO
Exames laboratoriais: avaliação da atividade inflamatória
Os testes utilizados são VSG (velocidade da sedimentação globular, também
denominado hemossedimentação e eritrossedimentação), proteína C reativa e menos
vezes alfa-1 glicoproteína ácida. Costumam estar elevados proporcionalmente à
gravidade da doença e diminuir com o sucesso do tratamento. Não esquecer que
estes testes não são específicos. Podem estar elevados em qualquer doença que
provoque inflamação ou infecção.
O fator reumatóide (FR) é a anormalidade imunológica mais marcante da AR.
Aparece em 80% dos pacientes e, portanto, utilizado como critério diagnóstico de
primeira linha. Entretanto, além de não estar presente em 20% dos pacientes com
AR, pode demorar até 1 ano para tornar-se positivo. Outro fato relevante a
respeito do FR é a sua presença em outras doenças reumáticas e não reumáticas
tais como hepatite crônica ativa, hepatite viral, lepra, tuberculose, doenças
malignas e várias outras. Nestes casos, em geral, o título (concentração)
costuma ser mais baixo.
O resultado do exame deve ser um número. Sugere-se não aceitar testes expressos
em cruzes ou somente positivo ou negativo. Exames descritos recentemente, fator
perinuclear e anticorpos anti-queratina, são menos vezes positivos mas podem ser
as únicas alterações precoces e, deste modo, proporcionar diagnóstico em fase
inicial da doença. Este fato é importantíssimo para que o tratamento correto
seja iniciado logo, evitando-se as deformidades já citadas. Hemograma completo,
plaquetas, transaminases e exame comum de urina são obrigatórios para que se
possa avaliar os efeitos colaterais dos medicamentos usados. Ultimamente,
pesquisa de vírus de hepatite (principalmente vírus C) têm sido incluídos na
avaliação inicial e, eventualmente, durante a evolução. Também são necessários
exames para avaliar comprometimento dos rins e fígado e outros que a avaliação
inicial ou evolução da doença indicar.
Exames por imagens
Os exames podem ser utilizados para diagnóstico, para estabelecer o estágio de
comprometimento articular e para comparação com exames prévios visando avaliar a
eficácia do tratamento.
Radiografias convencionais
Não mostram alterações específicas da Artrite Reumatóide (AR) em fase inicial
mas edema e osteoporose articular e ausência de alterações que sugiram outra
doença articular são úteis para encaminhar o diagnóstico. As deformidades
aparecem em doença mais avançada.
Ecografia articular
Executada por especialista experiente pode detectar mínimas lesões que já
ocorreram nos primeiros meses da Artrite Reumatóide(AR). Também é utilizada para
avaliar lesòes em tendões.
Ressonância magnética
É bastante sensível para demonstrar inflamação articular e comprometimento
cartilaginoso precoce e lesões em tecidos moles (tendões, ligamentos e nervos).
Critérios diagnósticos
São utilizados os critérios publicados em 1987 pelo Colégio Americano de
Reumatologia, sendo necessários pelo menos quatro:
artrite de três ou mais
articulações vistas por médico e com envolvimento simultâneo com duração mínima
de 6 semanas
artrite de articulações das mãos,
incluindo punhos, com duração mínima de 6 semanas
artrite simétrica (para
interfalangianas e metacarpofalangianas não é necessário o mesmo dedo)com
duração mínima de 6 semanas
rigidez matinal de mais de 1 hora
com duração mínima de 6 semanas
presença de fator reumatóide
nódulos reumatóides
alterações radiológicas sugestivas
de Artrite Reumatóide (AR).
Como se trata?
Nos últimos 10 a 15 anos foram se modificando os esquemas do tratamento da
Artrite Reumatóide (AR). Velhos remédios estão sendo melhor usados e novos estão
surgindo. Verificou-se que o tratamento precoce e, muitas vezes, associação de
vários medicamentos desde o início proporciona melhor prognóstico. Os médicos
estão fazendo diagnóstico mais cedo (talvez porque os pacientes estejam mais
alertas quanto ao especialista que procurar), possibilitando a introdução
precoce do melhor tratamento. Desse modo, maior número de pacientes está
evoluindo melhor e ficando com menos deformidades e limitações. Porém, quando a
causa de uma doença não é conhecida não há um tratamento curativo. E ainda há
uma parcela significativa de portadores de Artrite Reumatóide (AR) que não têm a
melhora desejada. Nesse momento, é importante salientar que a maioria das
doenças clínicas não são curadas, somente controladas. Por exemplo, não se cura
hipertensão arterial e diabete: os medicamentos deverão ser usados por toda
vida. São curadas infecções porque é eliminado um agente externo conhecido. As
cirurgias são mais eficazes porque corrigem defeitos ou extirpam o problema. Um
indivíduo pode ser portador de uma doença grave e estar emocionalmente bem
porque ela não provoca sintomas. A desvantagem que um paciente com Artrite
Reumatóide (AR) com má evolução tem é que a dor, a limitação de função ou a
deformidade observável lembra-o que ele está doente. E mais:
Amanhecer com dor e rigidez
articular;
Ter as atividades de parte ou todo
dia limitadas;
Não saber, ao deitar à noite, como
será a manhã seguinte;
Usar medicamentos que podem
produzir efeitos colaterais;
Fazer exames laboratoriais
periódicos;
Ter sempre que fazer exercícios
sendo, muitas vezes, acompanhados de procedimentos fisioterápicos;
Ter que consultar seu médico
várias vezes ao ano; nem sempre sentir nele o amigo e conselheiro que o entende
Ter a desventura de não encontrar
na família e amigos a compreensão acerca de suas limitações ou, ao contrário,
haver exagero ou superpreocupação quanto às suas reais limitações e dificuldades
Estes são problemas sérios que pacientes e médicos devem conhecer e manejar
adequadamente. Assim, pacientes e familiares devem estar conscientes das
possibilidades evolutivas da Artrite Reumatóide (AR) e serem orientados sobre o
melhor modo de se conduzirem. O paciente pode precisar de períodos de repouso e
deve ser respeitado e auxiliado nessas ocasiões. Seus professores ou colegas de
trabalho também devem ser acionados.
Então, o que já vimos?
O diagnóstico deve ser feito logo
O tratamento mais eficaz, na
maioria dos casos, é associação de medicamentos iniciada precocemente
Os familiares, amigos e pessoal do
ambiente de trabalho devem ser orientados ou estarem a par da situação
Exercícios e outros procedimentos
fisioterápicos devem ser iniciados em seguida (de acordo com tolerância)
Os medicamentos usados no tratamento da Artrite Reumatóide (AR) são divididos de
acordo com o modo de ação em:
analgésicos e antiinflamatórios
não-esteróides
corticoesteróides
drogas modificadoras da doença
(drogas remissivas)
Analgésicos e Antiinflamatórios não--esteróides (AINES)
Estes medicamentos não agem na evolução natural da doença. Não podem ser o único
tratamento. Os analgésicos têm efeito quando a dor não é forte. Sua vantagem é a
boa tolerância pelo estômago e não aumentar a pressão arterial. Os AINES são
assim denominados porque não são cortisona (corticoesteróides). São muito úteis
não só por sua ação antiinflamatória mas, principalmente no início do
tratamento, devido à sua ação analgésica. Aliviam as dores enquanto as drogas
modificadoras da doença, que têm ação lenta, estão atuando. Quando tolerados,
podem ser usados continuamente e auxiliam na tentativa de usar-se doses baixas
de corticóide ou até mesmo evitá-los. Os efeitos colaterais mais freqüentes são
azia (pirose), gastrite e úlcera de estômago. Por reterem sódio, alguns
pacientes poderão ficar com pés e pernas inchados. Hipertensos precisam ter
muita atenção se usarem AINES por longo tempo.
Corticóides
A grande maioria dos portadores de Artrite Reumatóide (AR) usa corticóide. Deve
ser usado em dose baixa e sempre com orientação médica. Obedecendo-se a esta
regra básica os efeitos colaterais serão mínimos justificando-se os riscos face
aos benefícios obtidos. Trabalhos recentes comparando-se tratamentos mostraram
que quando usados desde o início, em dose baixa e associados às drogas
modificadoras da doença o prognóstico será melhor e haverá menos erosões ósseas.
Naqueles pacientes com mínima atividade inflamatória o reumatologista pode optar
em usar AINES associados aos remissivos e aguardar algum tempo de evolução antes
de decidir por corticóide.
Também podem ser usados em injeções intra-articulares (infiltrações). Há
consenso em não repetí-las na mesma articulação mais do que 2 vezes ao ano.
Drogas modificadoras da doença
São assim chamadas porque suprimem em parte ou totalmente a atividade
inflamatória e bloqueiam a evolução natural da doença. Devem ser usadas logo que
o diagnóstico for confirmado. Há crescente consenso acerca da associação de pelo
menos duas drogas remissivas desde o início do tratamento mas se o
reumatologista observar que a doença está pouco agressiva ou se estiver
preocupado com os efeitos colaterais dos medicamentos em casos específicos, está
adequado iniciar-se com uma só droga. Cada medicamento pode provocar seus
efeitos colaterais. Não são freqüentes e serão evitados com exames laboratoriais
periódicos e oftalmológicos quando forem usados antimaláricos. Infelizmente,
muitos pacientes receberão o tratamento ideal já com longo tempo de evolução e
com deformidades estabelecidas. Além disto, não são todos pacientes que se
beneficiam com os medicamentos oferecidos. Por este motivo, novas drogas estão
surgindo e, lentamente, ocupando seu espaço. Mas mesmo as mais modernas,
baseadas em conhecimentos mais finos do mecanismo íntimo da AR não funcionam em
todos pacientes.
Cirurgia
Os tendões devem ser operados quando rompem ou, quando já bastante lesados, não
conseguem manter a articulação estável e a função fica muito prejudicada. Muitos
pacientes adaptam-se com suas limitações e recusam cirurgia. Grandes destruições
articulares levam a dor forte e incapacidade de praticar atos do dia a dia
(caminhar, erguer-se de uma cadeira, sair da cama, usar o vaso sanitário, usar
talheres). Nestes casos estão indicadas as próteses articulares cujos
resultados, na maioria das vezes, são gratificantes. Há alguns poucos pacientes
que, a despeito do tratamento estar funcionando adequadamente, ficam com um
"escape" em uma ou duas articulações as quais em pouco tempo provocam lesões
destrutivas importantes. Nestes casos, estão indicadas cirurgias para retirada
da membrana articular (sinóvia) extremamente inflamada e hipertrofiada. Após a
cirurgia, os pacientes devem continuar o tratamento clínico pois é muito difícil
a retirada completa da membrana sinovial e há risco dos pacientes retornarem à
situação anterior.
Perguntas que você pode fazer ao seu médico
Esta doença tem cura?
Qual a finalidade do tratamento?
O tratamento é esta receita somente ou devo repetí-la?
Há interferência com outros remédios que estou usando?
Quais os efeitos colaterias? Devo fazer exames de controle?
Existem problemas com obesidade e dieta?
Qual a importância de exercícios e repouso?
Que cuidados devo ter com meus hábitos diários, profissionais e de lazer?
----------------------------------------------------------------------------
Artigos relacionados: ( A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z )
A
AMAMENTAÇÃO E OS DENTES E A FACE
A CRIANÇA E OS DENTES
A IMPORTÂNCIA
DO SONO E AS PRINCIPAIS INTERFERÊNCIAS
A POLÊMICA DA REPOSIÇÃO
HORMONAL I
A POLÊMICA DA REPOSIÇÃO
HORMONAL II
A RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE
A RESPIRAÇÃO,
OS DENTES E A FACE
ABDOMINOPLASTIA
ABSCESSO CEREBRAL
ABSCESSO E CISTO DA
GLÂNDULA DE BARTHOLIN
ABSCESSO E FÍSTULA ANAL
ABSCESSO PERIAMIGDALIANO
ABUSO SEXUAL
ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL
ACNE
ACROMEGALIA
AFASIA
AFRODISÍACOS
AFTAS
AIDS
ALCOOLISMO E ADIÇÕES
ALEITAMENTO MATERNO
ALERGIA RESPIRATÓRIA
AMBLIOPIA
AMEBÍASE
AMENORRÉIA PRIMÁRIA
AMENORRÉIA SECUNDÁRIA
AMNÉSIA
ANEMIA
ANEMIA POR CARÊNCIA DE FERRO
ANEMIA POR CARÊNCIA DE VITAMINA
B12
ANEURISMA CEREBRAL
ANEURISMA DE AORTA ABDOMINAL
ANGEÍTE GRANULOMATOSA E ALÉRGICA
ANOREXIA NERVOSA
ANTICONCEPÇÃO
ANTICONCEPÇÃO - DISPOSITIVO
INTRAUTERINO - DIU
ANTICONCEPÇÃO
- MÉTODOS COMPORTAMENTAIS
ANTICONCEPÇÃO - MÉTODOS DE BARREIRA
ANTICONCEPÇÃO - MÉTODOS HORMONAIS
ANTICONCEPÇÃO - MÉTODOS IRREVERSÍVEIS
ANTICONCEPÇÃO DE EMERGÊNCIA
ANTRAZ - BIOTERRORISMO
APENDICITE AGUDA
ARRITMIAS
ARTERIOESCLEROSE
ARTERITE TEMPORAL
ARTRITE CRÔNICA NA INFÂNCIA
ARTRITE REUMATÓIDE
ARTRITE REUMATÓIDE: TRATAMENTO
ARTROSE
ASCARIDÍASE
ASCITE
ASMA
ASPERGILOSE PULMONAR
ASSENTO PARA AUTOMÓVEIS
ATELECTASIA PULMONAR
ATRAÇÃO SEXUAL
AUDIÇÃO DE RECÉM NASCIDO
AUSÊNCIA DE UM DENTE
AUTISMO
Visite sempre nosso site: www.cabuloso.com ( Fatos da Vida Real ) Créditos
Temos agora:
©
Desde 2005 - By www.cabuloso.com ®