ASMA
Sinônimos:
Asma brônquica, bronquite asmática.
O que é?
A asma brônquica é uma doença pulmonar freqüente e que está aumentando em todo o
mundo. Esta doença se caracteriza pela inflamação crônica das vias aéreas, o que
determina o seu estreitamento, causando dificuldade respiratória. Este
estreitamento é reversível e pode ocorrer em decorrência da exposição a
diferentes fatores desencadeantes ("gatilhos"). Esta obstrução à passagem de ar
pode ser revertida espontaneamente ou com uso de medicações. As vias aéreas são
tubos que dão passagem ao ar. Elas iniciam no nariz, continuam como nasofaringe
e laringe (cordas vocais) e, no pescoço, tornam-se um tubo largo e único chamado
traquéia. Já no tórax, a traquéia divide-se em dois tubos (brônquios), direito e
esquerdo, levando o ar para os respectivos pulmões. Dentro dos pulmões, os
brônquios vão se ramificando e tornam-se cada vez menores, espalhando o ar.
Como se desenvolve?
As pessoas asmáticas reagem demais e facilmente ao contato com qualquer
"gatilho" (estímulo).
Dentre estes, os mais comuns são:
alterações climáticas,
o contato com a poeira doméstica,
mofo,
pólen,
cheiros fortes,
pêlos de animais,
gripes ou resfriados,
fumaça,
ingestão de alguns alimentos ou
medicamentos.
A mucosa brônquica, que é o revestimento interno das vias aéreas, está
constantemente inflamada por causa da hiper-reatividade brônquica (sensibilidade
aumentada dos brônquios). Nas crises de asma, esta hiper-reatividade brônquica
aumenta ainda mais e determina o estreitamento das vias aéreas. Este fenômeno
leva à tosse, chiado no peito e falta de ar. Os mecanismos que causam a asma são
complexos e variam entre a população. Nem toda a pessoa com alergia tem asma e
nem todos os casos de asma podem ser explicados pela resposta alérgica do
organismo a determinados estímulos. De qualquer forma, cerca de um terço de
todos os asmáticos possui um familiar (pais, avós, irmãos ou filhos) com asma ou
com outra doença alérgica. Alguns asmáticos têm como "gatilho" o exercício. Ao
se exercitarem, entram numa crise asmática com tosse, chiado no peito (sibilância)
ou encurtamento da respiração. Alguns vírus e bactérias causadoras de infecções
respiratórias também podem estar implicadas em alguns casos de asma que se
iniciam na vida adulta. A asma brônquica pode iniciar em qualquer etapa da vida.
Na maioria das vezes, inicia na infância e poderá ou não durar por toda a vida.
O que se sente?
Caracteristicamente, nesta doença os sintomas aparecem de forma cíclica, com
períodos de piora. Dentre os sinais e sintomas principais, estão:
tosse - que pode ou não estar
acompanhada de alguma expectoração (catarro). Na maioria das vezes, não tem
expectoração ou, se tem, é tipo "clara de ovo";
falta de ar
chiado no peito (sibilância)
dor ou "aperto" no peito
Os sintomas podem aparecer a qualquer momento do dia, mas tendem a predominar
pela manhã ou à noite. A asma é a principal causa de tosse crônica em crianças e
está entre as principais causas de tosse crônica em adultos.
Como o médico faz o diagnóstico?
O diagnóstico é feito baseado nos sinais e sintomas que surgem de maneira
repetida e que são referidos pelo paciente. No exame físico, o médico poderá
constatar a sibilância nos pulmões, principalmente nas exacerbações da doença.
Contudo, nem toda sibilância é devido à asma, podendo também ser causada por
outras doenças. Todavia, nos indivíduos que estão fora de crise, o exame físico
poderá ser completamente normal.
Existem exames complementares que podem auxiliar o médico. Dentre eles, estão:
a radiografia do tórax,
exames de sangue e de pele (para constatar se o paciente é alérgico) e a
espirometria - identifica e quantifica a obstrução ao fluxo de ar.
O asmático também poderá ter em casa um aparelho que mede o pico de fluxo de ar,
importante para monitorar o curso da doença. Nas exacerbações da asma, o pico de
fluxo se reduz.
Como se trata?
Para se tratar a asma, a pessoa deve ter certos cuidado com o ambiente,
principalmente na sua casa e no trabalho. Junto, deverá usar medicações e manter
consultas médicas regulares.
Duas classes de medicamentos têm sido utilizadas para tratar a asma:
Broncodilatadores
Todo asmático deverá utilizar um broncodilatador. É um medicamento, como o
próprio nome diz, que dilata os brônquios (vias aéreas) quando o asmático está
com falta de ar, chiado no peito ou crise de tosse. Existem broncodilatadores
chamados beta2-agonistas - uns apresentam efeito curto e outros efeito
prolongado (que dura até 12h). Os de efeito curto costumam ser utilizados
conforme a necessidade. Se a pessoa está bem, sem sintomas, não precisará
utilizá-los. Já aqueles de efeito prolongado costumam ser utilizados
continuamente, a cada 12 horas, e são indicados para casos específicos de asma.
Além dos beta2-agonistas, outros broncodilatadores, como teofilinas e
anticolinérgicos, podem ser usados.
Antiinflamatórios
Os corticóides inalatórios são, atualmente, a melhor conduta para combater a
inflamação, sendo utilizados em quase todos os asmáticos. Só não são usados
pelos pacientes com asma leve intermitente (que têm sintomas esporádicos). Tais
medicamentos são utilizados com o intuito de prevenir as exacerbações da doença
ou, pelo menos, minimizá-las e aumentar o tempo livre da doença entre uma crise
e outra. Os antiinflamatórios devem ser utilizados de maneira contínua (todos os
dias), já que combatem a inflamação crônica da mucosa brônquica, que é o
substrato para os acontecimentos subseqüentes.
Existem outras possibilidades de tratamento, como o cromoglicato de sódio
(bastante utilizado em crianças pequenas), o nedocromil, o cetotifeno e os
anti-leucotrienos. Este último é relativamente novo e pode ser usado em casos
específicos de asma ou associado aos corticóides.
Tanto os broncodilatadores quanto os antiinflamatórios podem ser usados de
várias formas:
por nebulização,
nebulímetro ("spray" ou
"bombinha"),
inaladores de pó seco (através de
turbohaler, rotahaler, diskhaler ou cápsulas para inalação) – são diferentes (e
práticos) dispositivos para inalação,
comprimido,
xarope
Os médicos dão preferência ao uso das medicações por nebulização, nebulímetro ou
inaladores de pó seco por serem mais eficazes e causarem menos efeitos
indesejáveis.
Como se previne?
Como prevenção de crises de asma, o asmático poderá usar os corticosteróides, os
beta2-agonistas de longa duração e os antileucotrienos, além de ter um bom
controle ambiental, evitando exposição aos "gatilhos" da crise asmática. Não há
como prevenir a existência da doença, mas sim as suas exacerbações e seus
sintomas diários.
Perguntas que você pode fazer ao seu médico
Qual a probabilidade de uma criança pequena continuar asmática na vida adulta?
Depois de iniciarmos medicações preventivas, estas nunca mais poderão ser
interrompidas?
Quando devemos ir para um pronto-atendimento ou hospital numa crise?
O tratamento da asma deve mudar durante a gestação?
Quando não dispomos de broncodilatador de curta duração numa crise asmática,
podemos usar o de longa duração?
A asma costuma piorar no período menstrual ou pré-menstrual?
O que fazer quando a falta de ar é tanta que não conseguimos usar a
“bombinha”(spray)?
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